Crise não deve desalecerar o mercado de apps no Brasil

Por Colaborador externo RSS | em 11.03.2016 às 07h11

apps

Por Rafael Costa*

Pedir um táxi e pedir comida pelo celular já faz parte do dia-a-dia de muitos brasileiros. Apesar de afetar sistematicamente a economia tradicional, a crise econômica demonstra sinais de que não deve chegar tão cedo ao mercado de aplicativos, uma vez que hábitos como os mencionados acima estão ganhando cada vez mais força. Essa visão é corroborada pela consultoria App Annie que, em pesquisa inédita, apontou estimativas de crescimento de 44% em receita e 33% em downloads para o segmento no País, em 2015.

O resultado mostra claramente que o setor é um dos únicos que tem cumprido a promessa de crescimento espetacular feita por economistas há cinco anos para a economia brasileira. E as previsões para o futuro também são otimistas. Estudo da Associação Brasileira de Serviços Online para Offline (ABO2O), indica que o volume de transações tem potencial para alcançar faturamento de R$ 1 trilhão até 2020. Somente no ano passado, os downloads de apps O2O - modelo de negócio que utiliza canais online para oferecer produtos e serviços offlines - cresceram em média 1576%.

Diante de números e projeções animadoras, investir em aplicativos se tornou a “menina dos olhos” de diversos empreendedores. Muito deles, aproveitam-se do fato de que o Brasil ainda sofre com a carência de inovação e melhorias tecnológicas em diversos setores.

O grande entrave, no entanto, consiste na dificuldade de alcançar relevância necessária com o público-alvo e, consequentemente, ganhar dinheiro com o app. Para se ter uma ideia da dimensão do problema, mais de 1,5 milhão de aplicativos estão disponíveis para serem baixados, mas alguns levantamentos de mercado apontam que 80% deles são utilizados uma única vez e, logo depois, acabam sendo desinstalados pelos usuários.

Nesse contexto, para evitar que o aplicativo encalhe, é interessante que o desenvolvedor crie uma plataforma que atenda a um público com necessidades específicas, mas que seja grande suficiente para que o modelo de negócio possa ser escalonado. Após isso, é necessário pensar em funções e diferenciais que tenham o poder de facilitar a vida das pessoas, possibilitando que a ideia se torne vital e valiosa para os usuários.

Apesar da relevância conquistada pelos apps de táxi, reserva de restaurantes e delivery de comida, outras áreas importantes do setor de serviços ainda não foram devidamente exploradas pelos empreendedores brasileiros. É o caso, por exemplo, de aplicativos de lavanderias, impressão, reciclagem e cuidados para pets, já bastante consolidados no mercado norte-americano. Além disso, a existência de problemas maiores de infraestrutura - comuns em economias emergentes - também representa uma boa alternativa de investimento, uma vez que os mesmos requerem a aplicação de novas ideias sob medida.

Inegavelmente, há desafios enormes para o mercado brasileiro de apps se consolidar e chegar ao grau de maturidade e disseminação alcançados nos EUA e na Europa Ocidental. No entanto, mesmo diante do contexto da crise, as perspectivas traçadas indicam um ritmo de crescimento acelerado. Temos uma população jovem e pouco conservadora, que tem facilidade em absorver e testar serviços inovadores.

* Rafael Costa é mestre em Gestão Internacional pela Fundação Getúlio Vargas e diretor de operações do Mobobox, app gratuito que identifica a operadora de telefones celulares e fixos no Brasil

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