Facebook compra empresa criadora do Oculus Rift por US$ 2 bilhões

Por Caio Carvalho RSS | em 26.03.2014 às 03h57 - atualizado em 26.03.2014 às 09h41

Oculus Rift

Tudo indica que as aquisições bilionárias no mundo da tecnologia estão longe de acabar. E desta vez, o Facebook ataca novamente com a compra da Oculus VR, a empresa responsável pelos óculos de realidade virtual Oculus Rift. O anúncio foi feito por Mark Zuckerberg em seu perfil na rede social pouco mais de um mês depois que a companhia adquiriu o aplicativo WhatsApp por US$ 19 bilhões.

De acordo com o site The Verge, a Oculus VR foi comprada por US$ 2 bilhões e a expectativa é que o negócio seja concluído ainda no primeiro semestre de 2014. O pagamento envolve US$ 400 milhões em dinheiro e o restante, US$ 1,6 bilhão, foi transferido em forma de 23,1 milhões de ações do Facebook.  O acordo ainda inclui um pagamento de US$ 300 milhões em dinheiro e ações caso certas metas sejam atingidas agora que a startup pertence à rede social.

Zuckerberg explica que o que levou sua empresa a adquirir a Oculus VR foi que a tecnologia desenvolvida por eles "abre possibilidades totalmente novas". A Oculus ficou conhecida em 2012 por apresentar o primeiro protótipo de óculos de realidade virtual que funciona de forma simples, prática e agradável ao consumidor. O foco da corporação sempre foi os games para computador, mas o CEO do Facebook enxerga novas oportunidades para explorar todo o potencial e vantagens do Oculus Rift.

"Essa é uma nova plataforma de comunicação. Imagine compartilhar não apenas os momentos com seus amigos online, mas também experiências completas e aventuras", diz no texto. "Nós descobrimos que as duas equipes [Facebook e Oculus VR] compartilhavam uma visão profunda sobre a criação de uma plataforma para interação que permitia que bilhões de pessoas se conectassem de uma maneira que nunca foi possível. (...)", completa.

Um detalhe interessante é que a Oculus VR é a primeira grande empresa de hardware que o Facebook compra nos últimos anos. Vários especialistas chegaram a criticar a rede social justamente por investir apenas em software - Instagram e WhatsApp, por exemplo -, dando a impressão de não se posicionar para um futuro dominado em grande parte pela robótica e outros aparelhos físicos. Agora, a compra da desenvolvedora do Rift representa um passo importante na história da rede social, pelo menos no que diz respeito à realidade virtual. E público é o que não vai faltar, já que outras gigantes como Sony e Microsoft estão de olho no headset da Oculus VR e trabalham em protótipos concorrentes com essa tecnologia.

Oculus Rift

O headset Oculus Rift em sua segunda versão do kit para desenvolvedores. (Foto: Divulgação/Oculus VR)

Leia, abaixo, a íntegra do anúncio da aquisição publicada por Mark Zuckerberg em seu Facebook:

"Estou empolgado em anunciar que chegamos em um acordo para adquirir a Oculus VR, líder em tecnologia de realidade virtual.

Nossa missão é tornar o mundo mais aberto e conectado. Nos últimos anos, isso significava principalmente criar aplicativos móveis que ajudam você a compartilhar com as pessoas que você se importa. Ainda temos muita coisa para fazer no mobile, mas chegamos ao ponto que estamos em uma posição de onde podemos começar a focar em quais plataformas se tornarão as próximas a permitir experiências pessoais e de entretenimento mais úteis.

É aí que entra a Oculus. Eles construíram uma tecnologia de realidade virtual, como o headset Oculus Rift. Ao colocá-lo, você entra em um ambiente virtual completamente imersivo, como um jogo, uma cena de filme ou um lugar distante. O incrível sobre essa tecnologia é que você sente como se realmente estivesse presente em outro lugar, com outras pessoas. Pessoas que experimentam isso dizem ser diferente de tudo que já experimentaram em suas vidas.

A missão do Oculus é permitir que você experimente o impossível. Sua tecnologia expande a possibilidade de experiências completamente novas.

Uma jogatina cada vez mais imersiva será o primeiro, mas a Oculus já tem grandes planos aqui que não serão alterados e que nós esperamos acelerar. O Rift está altamente adiantado para a comunidade de jogos, e há muito interesse por parte dos desenvolvedores em construir novos conteúdos para essa plataforma. Estamos nos focando em ajudar a Oculus a construir seu produto e a desenvolver parcerias para suporte a mais jogos. A Oculus continuará operando de forma independente dentro do Facebook para atingir esse objetivo.

Mas esse é apenas o começo. Depois de jogos, faremos da Oculus uma plataforma para muitas outras experiências. Imagine aproveitar um assento em um jogo, estudar em uma sala de estudantes e professores de todo o mundo ou consultar um médico cara a cara - apenas colocando os óculos em sua casa.

Essa é uma plataforma de comunicação realmente nova. Ao sentir isso verdadeiramente presente, você pode compartilhar espaços e experiências ilimitadas com as pessoas em sua vida. Imagine compartilhar não apenas momentos com seus amigos online, mas experiências e aventuras completas.

Esses são apenas alguns usos em potencial. Trabalhando com desenvolvedores e parceiros da indústria, juntos nós podemos fazer muito mais. Um dia, acreditamos que esse tipo de realidade aumentada, imersiva, vai se tornar parte da vida diária de bilhões de pessoas.

Realidade virtual foi um dia um sonho da ficção científica. Mas a internet foi também um sonho um dia, e aqui estão computadores e smartphones. O futuro está chegando e nós temos a chance de construí-lo juntos. Eu mal posso esperar para começar a trabalhar com toda a equipe da Oculus para trazer este futuro para o mundo, e habilitar novos mundos para todos nós."

E o que muda daqui para frente?

Basicamente, nada. Como o próprio Zuckerberg destacou, os trabalhos atuais e futuros da Oculus VR continuam a todo vapor, e isso inclui os jogos e adaptações feitas para os protótipos do Oculus Rift. A companhia também continuará sediada em Irvine, na Califórnia (Estados Unidos) e, aparentemente, todos os funcionários continuarão trabalhando para a empresa. Isso inclui John Carmack, fundador do estúdio Id Software (que produziu Doom e Quake), que se dedica em tempo integral ao desenvolvimento do Rift.

Em comunicado, o cofundador e CEO da Oculus VR, Brendan Iribe, disse que está animado para trabalhar com Mark e sua equipe para entregar a melhor plataforma de realidade virtual do mundo. O executivo também afirma que a união das duas empresas fará  com que essa nova tecnologia se torne cada vez melhor e mais acessível a todos os usuários. "Acreditamos que a realidade virtual será fortemente definida pelas experiências sociais que conectam as pessoas, permitindo que o mundo experimente o impossível. E isso é apenas o começo", comentou.

Oculus Rift

Brendan Iribe (à esquerda) e Palmer Luckey (à direita), cofundadores da Oculus VR. (Foto: Ana Vengas)

Iribe contou ao The Verge que o interesse do Facebook pela Oculus VR começou há algum tempo e de forma um tanto espontânea. "Eles [o Facebook] estavam interessados em ver uma demo [do Oculus Rift], nós mostramos, começamos a conversar sobre a nossa visão do projeto e eles adoraram", disse. "Mark perguntou: 'Tem algo em que podemos ajudar, algo que podemos fazer? Algum tipo de parceria, qualquer coisa que podemos investir para promovê-los? Como podemos fazer parte disso e ajudar a tornar a realidade virtual algo grande e cada vez melhor?'", complementa o executivo.

Palmer Luckey, também cofundador da Oculus VR, disse que outras companhias tiveram o interesse de adquirir a startup, mas que nenhuma compartilhava da mesma visão que o Facebook. "Mark acredita na nossa proposta de realidade virtual, e vamos continuar a operar de forma independente, entregando o que sempre queríamos entregar. Isso nos dá uma grande quantidade de recursos para fazer o que sempre queríamos fazer, mas isso não muda o que queremos fazer", explica.

Sobre projetos em andamento produzidos em conjunto pelas duas empresas, Iribe e Luckey disseram que ainda não podem revelar nada, mas que muito em breve eles farão os anúncios de novos produtos. "[Estar com o Facebook] permite que o headset [Oculus Rift] seja melhor e mais barato. Nosso objetivo é o mesmo, mas antes havia um monte de coisas que só agora podemos colocar em prática. Isso faz  com que o Rift fique mais barato e melhor, tanto no curto como a longo prazo", concluem.

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