BYOD: Como a mobilidade pode mudar o jeito como você trabalha

Por Rafael Romer RSS | 04.03.2013 às 11h00 - atualizado em 04.03.2013 às 17h16

BYOD BYON

A tecnologia revolucionou o modo como lidamos com a informação no nosso dia-a-dia, facilitando tanto nossa vida pessoal como profissional. Por causa de avanços no modo como compartilhamos dados e arquivos, por exemplo, surgiu o chamado home-office, estilo de trabalho no qual o profissional realiza toda sua função de casa e não precisa ir e voltar para um escritório físico todos os dias.

Já outra tendência que tem ganhado espaço nos últimos anos se aproveita dos avanços tecnológicos em dispositivos móveis, como smartphones, tablets, notebooks e Ultrabooks e promete mudar mais um vez o modo como trabalhamos: o Bring Your Own Device (BYOD), ou “traga seu próprio dispositivo” em tradução livre. 

A tendência começou a ganhar popularidade entre funcionários e empresas no final da década passada, quando provou trazer benefícios para os dois lados da cadeia produtiva. Exatamente como indicado pelo nome, o estilo de trabalho consiste em funcionários trazerem seus próprios equipamentos móveis para trabalhar na empresa, como celular ou laptop, desempenhando sua função profissional e atividades pessoais no mesmo dispositivo e de maneira independente de aparelhos fornecidos pela empresa.

"Há cerca de dois anos nós começamos a ver o avanço do BYOD, quando companhias passaram a permitir que funcionários trouxessem seus próprios dispositivos. Isso já estava acontecendo há mais de dois anos, mas ainda era muito limitado", explica Cesar Berenguer, diretor de Novos Negócios para a América Latina da AirWatch, uma das maiores empresas especializadas em soluções que incluem serviços de BYOD. "Na América Latina, a pressão [pela adoção do BYOD] tem vindo dos funcionários, e as empresas estão procurando maneiras de adotá-lo", afirma.

O BYOD tem ganhado espaço em regiões como China, Índia e Oriente Médio, onde cerca de 80% das empresas permitem que seus funcionários utilizem seus dispositivos - o maior índice do mundo. Uma das primeiras grandes companhias a adotar a tendência foi a Intel, que notou que cada vez mais funcionários traziam seus próprio tablets, celulares e outros dispositivos para se conectarem à rede da companhia. Ao contrário de muitas empresas na época, que tentaram banir a nova moda, a gigante da informática resolveu incentivá-la como forma de cortar gastos e aumentar a produtividade de seus funcionários. Segundo a empresa, em janeiro de 2010, ela contava com cerca de 30 mil dispositivos de propriedade de seus funcionários em sua rede. A expectativa é que o número mais que duplique até 2014.

"Eu acredito que a indústria financeira e até governos, que são mais conscientes com segurança, talvez mantenham-se mais restritos. Mas no setor de vendas, consumidores, educação, nós estamos vendo muita movimentação com a ideia do BYOD", diz Cesar.

Para empresas, uma das principais vantagens do BYOD é o corte de gastos, já que o custo de hardware passa para o empregado. Pesquisas realizadas com empresas que adotaram o sistema mostram que a economia pode chegar a até US$ 80 (cerca de R$ 158) por usuário por mês. Algumas empresas optam por dividir os custos de manutenção ou outros eventuais gastos com seus funcionários, como o total de ligações profissionais realizadas através do aparelho celular da pessoa, mas esse tipo de iniciativa pode variar conforme a empresa, já que nenhuma legislação sobre o assunto existe.

O BYOD também pode auxiliar uma empresa a se manter mais atualizada em relação às últimas tecnologias do mercado e tirar benefícios delas, já que usuários tendem a trocar de dispositivos com mais facilidade e velocidade que empresas.

Outra das vantagens do BYOD é a satisfação do funcionários, que tende a aumentar junto com a produtividade através do uso de suas próprias plataformas no trabalho. Segundo especialistas, usuários que preferem sistemas operacionais diferentes, por exemplo, podem se sentir mais confortáveis trabalhando em seu dispositivo carregando Windows, Mac OS ou Linux do que em um sistema padronizado da empresa, que não é seu “favorito”. O mesmo pode se aplicar a smartphones, cada vez mais necessários no dia-a-dia de profissionais. A lógica é simples: antes de serem empregados de uma empresa, os usuários são pessoas com interesses e preferências próprias, que se refletem nos dispositivos que escolhem comprar e utilizar, o que, por sua vez, pode ter um efeito benéfico no desempenho do funcionários no trabalho.

Nem tudo é perfeito

Apesar das vantagens, a tendência, que já recebeu apelidos como Bring Your Own Disaster (traga seu próprio desastre, em tradução livre) e Bring Your Own Danger (traga seu próprio perigo) entre especialistas de segurança, também traz uma série de desafios que podem ser difíceis de ser enfrentados por empresas e funcionários.

O maior dos problemas do BYOD é a questão da segurança de dados. Uma pesquisa recente desenvolvida pela Wisegate mostra que o BYOD está entre os maiores problemas de segurança a serem enfrentados por empresas em 2013, ao lado das redes sociais. Como os dispositivos devem ser deslocados pelos próprios funcionários em seu dia-a-dia, o risco de perda e roubo passa a ser também uma preocupação da empresa, uma vez que dados sensíveis podem estar dentro dos aparelhos.

Serviços de compartilhamento de documentos em nuvem, normalmente utilizados para o fácil acesso de arquivos entre funcionários de uma mesma empresa com dispositivos não conectados em rede, também costumam não conter opções avançadas de segurança, o que pode também comprometer os dados. Outras ameaças incluem a falta de uma opção de segurança em rede, por exemplo, já que usuários podem trazer dispositivos infectados por malwares para dentro de uma empresa sem estarem cientes disso.

Outros desafios ainda vão além da segurança: lidar com o desligamento de um funcionário BYOD de uma empresa torna-se um assunto sensível, já que parte do conteúdo da empresa deverá ser excluído do dispositivo do funcionário que está de saída.

Para isso, é indicado que seja assinado um termo de compromisso entre empresa e funcionários que deixe clara todas as medidas que serão tomadas nesta e em outras situações, como perda, roubo, dano ao dispositivo, auxílio de custo de manutenção e outros problemas que possam surgir. "A maior reclamação [de funcionários] é a noção de que 'eu não quero que a empresa saiba tudo que estou fazendo, eu não quero que eles tenham controle sobre mim'. Nesse ponto de vista, como funcionário, você tem que ter certeza que a empresa te ofereça opções de privacidade", explica Cesar.

Com o avanço do BYOD, algumas empresas se especializaram em fornecer soluções para os executivos que optaram por adotar o sistema. Atendendo atualmente 22 empresas só no Brasil, a AirWatch é uma das maiores do ramo. Através do seu serviço, é possível que empresas tenham um leque de possibilidades de controle maior em relação aos dispositivos de seus funcionários enquanto estiverem dentro da companhia. Para as empresas é possível escolher, por exemplo, opções para bloquear determinados aplicativos e programas dentros do escritório, limitar o acesso a arquivos quando o funcionário não estiver no trabalho, apagar documentos sensíveis e informações sobre a empresa de dispositivos quando o funcionário for desligado da companhia, remotamente.

Outras empresas, como a Samsung, também criaram opções que permitem que o próprio funcionário controle sua privacidade em seu dispositivos. Anunciado recentemente, o novo Samsung Knox, disponível para smartphones com o sistema Android, permite que o usuário separe o uso profissional e pessoal em diferentes "áreas" de seu sistema, evitando que haja vazamento dos dados e aplicativos de negócios, e também barrando vírus e ataques de malware.

E você? Curte a ideia de trabalhar com seus próprios dispositivos ou acha que isso não dá certo? Conte sua opinião para gente nos comentários!

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