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Pequenas e médias empresas: como contratar e manter bons funcionários

Por Rafael Romer RSS | 04.07.2013 às 17h50 - atualizado em 04.07.2013 às 18h50

EMPRESA

Passou-se o tempo em que os profissionais procuravam empresas que ofereciam apenas estabilidade, planos longos de carreira e um emprego que pudesse durar a vida inteira. Após as mais recentes reorganizações do mercado de trabalho, fruto, principalmente, das últimas grande crises mundiais, os downsizes e reengenharias de pessoal como formas de reduzir gastos empurram profissionais a reconsiderar a fidelidade às empresas como algo obrigatório na busca de uma carreira de sucesso. "Mercado de trabalho era dever, era organização. Eu ficava trinta, quarenta anos dentro da mesma organização. Eu crescia pelo tempo de casa naquela empresa. [Hoje] as pessoas perceberam que as empresas não vão mais ser fiéis a elas", explica ao Canaltech a presidente do grupo de consultoria de recursos humanos DMRH, Sofia Esteves.

O resultado disso é que, cada vez mais, profissionais buscam empresas que estão de acordo com suas próprias crenças e visões de mundo, além de espaços nos quais podem atuar próximos à administração, colaborando com decisões e com a implementação de novidades. "As empresas têm que cuidar bem das pessoas, senão as pessoas não ficam mais. O ritmo de infelicidade com a empresa está enorme", afirma Sofia.

Segundo a consultora, "nove em cada dez" pessoas que passam por processos de contratação na DMRH já trazem uma visão diferente do que costumavam trazer antigamente: o desejo, agora, é principalmente se dedicar a empresas nacionais, com uma estrutura menor, mas mais flexível, diferente da de grandes corporações. "As pessoas hoje querem ser felizes no seu trabalho, elas querem sentir que estão deixando um legado, que elas têm um propósito maior", explica. "Como as multinacionais têm pacotes prontos da matriz, você às vezes tem que implementar ações que acaba não concordando, que não tem a ver com nosso país ou cultura. Algumas pessoas não querem isso".

Nesse cenário, pequenas e médias empresas têm suas vantagens na hora de contratar e manter esses profissionais, já que a flexibilidade e ambiente mais próximo podem favorecer aqueles que procuram crescer junto às empresas.

Para encontrar esses profissionais no mercado, a consultora sugere um misto de ferramentas tradicionais com métodos mais modernos de contato: é importante, por exemplo, que toda empresa mantenha uma seção "trabalhe conosco" dentro de seus websites — modo que ainda costuma surtir efeitos e prender a atenção de interessados.

Outro famoso critério também é válido para encontrar bons profissionais: o popular QI, ou "Quem Indica", considerado um ótimo referencial por Sofia. "O funcionário que está dentro da sua casa, que conhece o dia-a-dia, vai saber se o amigo vai se adaptar naquele ambiente ou não", afirma. 

As redes sociais também podem desempenhar um papel importante para encontrar um profissional que combine com a empresa. Além de redes profissionais, como o LinkedIn, Sofia sugere que sejam utilizadas as próprias redes sociais de relacionamento da empresa, como Facebook e Twitter. Muitas vezes é por estas páginas que o público que conhece e gosta do trabalho da sua empresa acompanha informações sobre ela. 

Para empresas que não possuem recursos para a contratação de especialistas na procura de profissionais, os famosos head hunters, Sofia indica também o uso das chamadas consultorias de outsourcing, empresa com grande bases de dados de currículos profissionais que podem conter candidatos que sejam adequados ao que a pequena ou média empresa procura.

Alguns cuidados também são necessários na hora da contratação: Sofia sugere que o gestor olhe não só para as referências do profissional e para empresas de destaque no seu currículo. "Não se iluda porque o nome da empresa é bom. [O candidato] pode ir bem naquela empresa, com a cultura daquela empresa, e pode não ir bem na sua, que tem cultura diferente", afirma.

O que buscam esses profissionais?

O essencial é deixar claro para o profissional os critérios de trabalho e o que é valorizado dentro da empresa. "Vai ter gente que vai gostar e vai ter gente que não vai gostar do que você falar. Se você trouxer os que vão gostar, com certeza vão ficar muito tempo com você", afirma.

Segundo ela, é importante, também, evitar fantasiar ou contar histórias que não condizem com a realidade da empresa. Mesmo que garanta uma contratação, cedo ou tarde, pessoas que entram em uma empresa que não condiz com o que foi apresentado acabam desistindo do emprego, o que pode acabar em uma frustração não só para o empresário, como para outros funcionários do escritório.

Para evitar o chamado turnover, ou a alta rotatividade de profissionais, deve-se tentar engajar as pessoas dentro da empresa e entender a motivação de cada uma. Apesar de não terem tanta facilidade para oferecer salários competitivos, a vantagem da pequena ou média empresa é a capacidade de ver quando o funcionário está preparado para lidar com novos desafios e funções. "Ninguém quer ficar muito tempo fazendo a mesma coisa", explica Sofia.

Para a consultora, é importante manter também um diálogo para saber se as expectativas do funcionário estão sendo atendidas. Empresas pequenas e médias também costumam ter autonomia para trabalhar com uma demanda cada vez maior de funcionários, levando em conta a qualidade de vida. Flexibilidade de horário de trabalho e ter um home office são demandas que crescem e, desde que o trabalho combinado seja cumprido, podem beneficiar a relação do funcionário com a empresa. "Se a pessoa sentir que ela é valorizada, o reconhecimento é positivo". encerra.

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