Varejo de moda brasileiro integra tecnologias para ganhar eficiência

Por Rafael Romer RSS | em 25.08.2015 às 08h17

Vitrine virtual Brasil

Apesar da importância do setor para o mercado brasileiro, o varejo nacional ainda é deficitário quando o assunto é a adoção de novas tecnologias em lojas físicas. Seja por complicações fiscais e burocráticas ou falta de verba dedicada à inovação, a maior parte das lojas hoje oferece uma experiência que quase não mudou em décadas.

Mas o acirramento da competição e o crescimento constante do e-commerce no país têm motivado algumas empresas a iniciarem programas para atualização de seus pontos de venda, com o objetivo de melhorar a experiência do consumidor e ganhar mais eficiência de operação nas lojas.

Detentora de marcas como Richards, VR e Ellus, a Inbrands é uma das organizações do setor que está apostando em inovação para atualizar seu varejo. Com 174 lojas próprias, o grupo começou a atualizar seus sistemas de TI após a conclusão da centralização de seus processos e sistemas iniciada há dois anos após a aquisição de todas as marcas que hoje compõem o portfólio da empresa.

O plano mais recente da companhia é garantir mais "poder" aos vendedores e à retaguarda das lojas. Para isso, a Inbrands começou um programa piloto para a instalação de Wi-Fi nos varejos de suas marcas, além de equipar seus atendentes com dispositivos móveis padronizados. "Mobilidade é um diferencial, a gente precisa usar mobilidade a nosso favor, a gente precisava empoderar o vendedor", explicou o diretor de TI da Inbrands, Denis Soares, durante o evento do setor de varejo Latam Retail Show, que ocorre em São Paulo. "A próxima pergunta foi qual tipo de informação o vendedor teria que ter na mão para ele poder atender melhor o cliente".

O dispositivo escolhido foi o iPod Touch de quinta geração, que foi entregue a todos os atendentes das quinze unidades das marcas da empresa em shoppings de São Paulo e Rio de Janeiro. Os dispositivos são carregados com um aplicativo próprio do grupo, que permite ao vendedor fazer consultas sobre preços de peças, estoque da loja e disponibilidade de tamanho/cores desejadas pelo consumidor sem sair do lado do potencial comprador.

Além do plano de mobilidade, a empresa também começou um projeto de controle de fluxo utilizando iPads em lojas para o input de informações sobre os motivos de "não-vendas". A ideia é que os vendedores possam utilizar o equipamento para indicar as razões que visitantes saíram sem realizar uma compra, como falta de uma peça específica ou se a pessoas estava "apenas olhando".

Com a análise dos dados, a empresa espera aumentar a eficiência das lojas físicas, distribuindo peças e estoques de acordo com as demandas observadas. Por enquanto o projeto está sendo realizado em seis lojas das marcas Ellus, VR e Richards nos shoppings Morumbi, em São Paulo, e no shopping Leblon, no Rio. Ainda este ano, a ideia da empresa é fazer um rollout dos tablets para 50 lojas.

No próximo mês, a empresa espera começar ainda outro projeto piloto: em algumas lojas, os iPads também serão utilizados como terminal para que vendedores possam fechar as compras sem precisar levar o comprador até o caixa. "Nossa meta é fechar a compra no mobile, não em um tablet, mas por enquanto é isso que vamos conseguir implementar no piloto", comentou.

Ainda com um projeto tímido, mas com foco também no ganho de eficiência, a Restoque é outra empresa do setor que está apostando na tecnologia para melhorar a experiência de compra em suas lojas físicas. A empresa que controla marcas como Le Lis Blanc, John John e Dudalina começou um projeto de integração de RFID nas peças da marca Rosa Chá com o objetivo de agilizar compras em loja.

A Rosa Chá é uma das marcas mais novas do grupo, lançada no ano passado, e tem como público principal mulheres jovens, o que foi essencial na decisão de implementação do piloto. Com o RFID, a estratégia principal da companhia é criar o hábito do autosserviço nas lojas da marca, permitindo que consumidores escolham e paguem uma peça sem precisar da ajuda de vendedores ou caixas.

O programa ainda está na sua fase inicial dentro do grupo e exigiu um esforço grande para implementação, já que teve que envolver toda a cadeia de fornecedores da empresa para a identificação por RFID - dos fabricantes das peças ao centro de distribuição da empresa, em São Paulo, todos os passos ficam registrados na tag eletrônica. Por enquanto, ainda não há previsão de adoção em larga escala do projeto, mas a tecnologia é uma grande aposta da marca.

"A gente enxerga como um projeto piloto e a visão que a gente tem disso, nas palavras do nosso presidente do conselho, é que o RFID representa nesse instante para o varejo o que a tecnologia de código de barras representou nos anos 60 e 70 ", afirmou Carlos Barroso, diretor de TI da Restoque.

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