Open source é realidade entre grandes marcas

Por Boris Kuszka RSS

Open Source

No final do mês passado mais de 6 mil pessoas acompanharam dois dos principais eventos de Open Source do mundo, realizados dessa vez em São Francisco, nos Estados Unidos. Desenvolvidos pela Red Hat, o Summit (voltado para tecnologia e negócios) e o DevNation (mais técnico, focado em desenvolvedores), proporcionaram a oportunidade para conhecer muitas novidades na área, trocar experiências, entender todo o processo de transformação digital que estamos passando e, de quebra, conhecer de perto profissionais de renome no mercado. 

O tema esse ano foi “The power of participation” , captando bem o que o Open Source tem de mais importante: o desenvolvimento colaborativo e o espírito de participação.

Além de todo um conteúdo inovador, acredito que é necessário destacar nestes eventos a presença de cada vez mais empresas, tidas como tradicionais em TI, e que já estão mostrando seu interesse e envolvimento no Open Source, ou seja, um novo modelo de colaboração e gestão. Microsoft, por exemplo, utilizou um Macbook em sua apresentação, acessou via Google Chrome a aplicação no Red Hat Enterprise Linux no Microsoft Azure, gerenciada pelo OpenShift. Algo inacreditável em outros tempos. O próprio Joseph Sirosh, Corporate Vice President da Microsoft, finalizou sua participação dizendo que a “Microsoft ama Linux”.

Isso denota a maturidade do open source e até onde está chegando. Muitos tinham receio deste modelo de trabalho, porém hoje vemos que outras empresas, totalmente diferentes e que pregavam outro tipo de gestão da TI, fazem parte de nossa comunidade. Além da Microsoft, Accenture, Cisco, Dell, HP, Intel e SAP foram patrocinadores e keynote speakers do Summit.

Linux

Consumidor doméstico

O modelo de negócios está mudando, pois o mercado já pode contar com novas plataformas. Podemos encontrar, em nosso uso diário, sistemas que utilizam open source, como o Netflix, que, por sua vez, lidera vários projetos dentro do programa NetflixOSS . Todos os sites sociais como Facebook, Twitter, Google+, utilizam Open Source. Novos entrantes do mercado financeiro, exemplo do NuBank, usam exclusivamente Open Source e todas as grandes empresas são usuárias desse modelo em maior ou menor escala. Sem contar com as puramente originadas pela internet, como Google e Yahoo, que se baseiam quase que exclusivamente em Open Source e lideram vários projetos da área, como Kubernetes e Hadoop.

Todos os players de Blu-ray, por exemplo, utilizam Open Source internamente, da mesma forma que os celulares Android. Até consoles, como o Nvidia Shield, utilizam Open Source. Em resumo: sem saber, utilizamos Open Source em todos os lugares!

Os novos projetos envolvendo sensores (parte do que chamamos de IoT ou Internet of Things) são, em sua grande maioria, Open Source até porque envolvem um alto número de dispositivos. Neste caso, utilizar softwares proprietários os inviabilizariam por conta do custo e mais ainda por criar amarras com fornecedores específicos (lock-in).

A vantagem do Open Source não se vê somente para o consumidor, mas também para o fabricante já que o mesmo começa a contar com a comunidade para evoluir o produto, descobrir novos casos de uso e, com isso, aumentar sua utilização. Com essa filosofia, empresas vem abrindo o código fonte de softwares proprietários: a Microsoft abriu o código do .NET para a comunidade, a Red Hat abre também de todos os produtos das empresas que compra, como a Polymita, o Feed Henry e mais recentemente o Ansible Tower. Se não está aberto, está em vias de sê-lo.

É importante ressaltar que abrir um código para Open Source não é apenas publicá-lo na web. É necessário trocar as tecnologias proprietárias envolvidas por abertas, entrando em acordos com todos os fornecedores de tecnologia que estão envolvidos naquele software específico ou substituindo por alternativas Open Source. Dessa forma, podemos criar a versão upstream que permite a participação livre de toda a comunidade (empresas e pessoas físicas) acelerando o desenvolvimento do produto e deixando-o mais evoluído muito mais rapidamente.

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Boris Kuszka é o Diretor dos Arquitetos de Solução da Red Hat.

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