Um mundo em transformação busca tecnologia de ponta

Por Boris Kuszka RSS

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Há no mercado empresas baseadas 100% em software. Entre os exemplos clássicos podemos citar a Netflix, que desbancou tanto as locadoras de bairro quanto as grandes do setor, como a rede Blockbuster, trocando o modelo de aluguel tradicional por streaming ilimitado. O Spotify desbancou a venda de música da forma tradicional (inclusive iTunes) por streaming com pagamento mensal. Isso sem falar no Google, Yahoo, Facebook, Twiter e todos os sites sociais.

O Uber, que já gerou tanta polêmica aqui no Brasil, é outro, criando um novo modelo de serviço de transporte de pessoas e deu tão certo que em outros países que já existe um serviço adicional, o de courier, que faz entregas onde as rotas são otimizadas por um sistema de software inteligente com todo o controle dos envios. Até a grande indústria de videogame está inovando onde já tinha mudado de venda de mídias (CD, DVDs e mais recentemente Blu-ray) por download, partindo também para um modelo de negócio baseado em subscrição mensal onde pode-se jogar todo o portfólio de games disponível no serviço, como o GeForce NOW.

Esse modelo de subscrição está mudando toda a indústria, inclusive a de softwares, a qual teve início nas empresas baseadas em desenvolvimento open source e está começando a ser ofertado também em empresas baseadas em desenvolvimento proprietário.

O open source está por trás de todos esses exemplos que citei. Empresas que buscam inovação procuram open source, pois o modelo colaborativo acelera este processo e impõe a aderência a padrões abertos por conta do envolvimento de muitas outras no mesmo projeto: exemplo notório é o OpenStack, que já citei em outros artigos, com o envolvimento de mais de 500 empresas e uma versão nova a cada seis meses.

As empresas tradicionais da indústria estão ávidas em procurar inovação: todas já perceberam que, se não inovarem, serão simplesmente deixadas para trás por novos entrantes baseados em software e inovação. A empresa automotiva Ford foi símbolo da segunda revolução industrial há mais de 100 anos com a linha de produção para montagem de seus veículos, algo inédito na época e que causava receio no que se refere à qualidade de seus produtos e empregos que seriam cortados com essa automatização. Aqui, faço um paralelo entre o medo que havia entre os empregados e consumidores do mercado automotivo com a computação na nuvem: será que perderemos o emprego? Teremos controle? É seguro?. Vejo que ainda existe uma insegurança em adotar novas tecnologias, pois isso nos tira da zona de conforto e o ser humano tende a permanecer, se possível, em uma situação cômoda, a não ser que esteja sendo ameaçado, que é exatamente o que está acontecendo agora.

A mesma Ford que criou o mercado de massa de motores de combustão, percebendo a ameaça de novas empresas que estão surgindo no setor, resolveu apostar no open source: abriu o código proprietário do seu sistema Sync Applink para o consórcio Genivi, que é uma aliança para o desenvolvimento de software que roda dentro dos veículos automotores para passar funções de entretenimento e informações do veículo: comandos de voz, participação de redes peer-to-peer composta por smart homes, smart cities, servidores processando grandes quantidades de dados advindos de sensores dos carros (e, assim, podendo detectar falhas de maneira proativa, aumentando a segurança dos motoristas e abrindo caminho para veículos autônomos, entre outros usos). A Genivi já conta com 140 participantes, evidenciando como o open source vem sendo a solução para todos os que querem uma grande velocidade de inovação e eliminação do lock-in (dependência de fabricantes proprietários).

Área financeira - Os bancos tradicionais também estão sentindo a necessidade de aderir às inovações tecnológicas, especialmente com a chegada das Fintechs, empresas de serviços financeiros totalmente  baseados em tecnologia de ponta, especialmente com open source, como o Nubank, deixando claro este movimento de transformação digital.

Chamou-me a atenção uma frase referenciando-se às Fintechs (e que se encaixa em todas as outras indústrias em relação aos novos entrantes baseados em inovação): “As grandes instituições financeiras precisam aprender a inovar antes que as Fintechs aprendam como escalar”.

Todos os grandes bancos já embarcaram em adotar open source como a plataforma base para conseguir inovar com velocidade e evitar o lock-in: alinhando-se com empresas Fintech, criando encubadoras para descobrir novas empresas inovadoras ou implementando novos projetos focando na inovação — vejam o Bradesco Next, Digitaú e o Banco do Brasil Estilo Digital como grandes exemplos.

É possível perceber, após analisar estes exemplos, que o mundo pede serviços mais rápidos e com menor custo incremental, além de aplicativos inteligentes. E é justamente neste ponto que entra a tecnologia em nuvem, pois apenas ela é capaz de fornecer agilidade, escalabilidade e novas capacidades para uma empresa digital. Modernizar o desenvolvimento dos processos tornou-se vital para atender a demanda de negócios pela inovação.

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Boris Kuszka é o Diretor dos Arquitetos de Solução da Red Hat.

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