Quero empreender em tecnologia: como eu faço?

Por Colaborador externo RSS

Empreendedorismo

* Por Piero Contezini

O empreendedorismo está na moda. Com desemprego ainda em alta, essa é a saída encontrada por vários brasileiros para driblar a crise financeira. A ideia de criar um negócio inovador e conseguir um grande retorno é o sonho de consumo de muitos, inclusive daqueles que olham para o setor tecnológico, sinônimo de novidade, para começar a empreender. Porém, se você não sabe nada de tecnologia e quer empreender na área, tenho uma má notícia: ou você começa a estudar o quanto antes ou é melhor ir para outro segmento. Empreender no setor tecnológico sem entender de tecnologia é um dos maiores mitos do mundo dos negócios.

Entender do ramo em que você está inserido deveria ser a principal prioridade do futuro empreendedor. Talvez esse desconhecimento de área e mercado seja um dos fatores que levam empresas a fecharem as portas rapidamente. Dados recentes do IBGE demonstraram que, pela primeira vez desde 2008, o país fechou mais empresas do que abriu. Menos de 40% das empresas sobrevivem após cinco anos de atividade. Um percentual altíssimo, mesmo sabendo da situação econômica delicada dos últimos anos.

E se você está otimista com setor tecnológico, é melhor se acalmar um pouco e, novamente, observar o mercado. Apesar de, diferentemente do PIB brasileiro ainda prever um leve crescimento neste ano, o setor não deve passar imune à recessão. Segundo estudo realizado pela Advance Consulting em julho, os empresário de TI preveem um crescimento de apenas 3,1% este ano – um número bem abaixo do divulgado anteriormente, que era de 5,2%.

Por isso tudo, se ainda há interesse em entrar no ramo, sugiro aqui algumas dicas para os empreendedores novatos se firmarem no mercado e crescerem:

1) Alinhe suas expectativas

Dificilmente você conseguirá começar sem ter sócios para te apoiarem, mas tenha atenção com os escolhidos. Todos os sócios precisam estar intimamente alinhados em relação a questões-chave como, por exemplo, para que mercado a empresa vai oferecer seus serviços e soluções, quais os desafios, o que esperar e o que não esperar do negócio. A sociedade, juridicamente falando, é tal qual um casamento. Sem afinidade, não tem como ir adiante por muito tempo.

2) Estruture a sua empresa

O ponto central de todo empreendedor da área é conseguir o investimento inicial para tornar a sua ideia realidade. Para isso, você precisa ter uma empresa estruturada para receber investimentos. No Brasil, é comum se optar pela estrutura de Sociedade Anônima (SA). Já se você visa a investidores internacionais, crie uma estrutura off-shore usando BVI (Ilhas Virgens Britânicas) ou ainda Cayman, incorporando a empresa em Delaware (EUA) para depois abrir a brasileira, somente como filial. Isso possibilita que um investidor de fora possa colocar dinheiro na sua empresa sem ter um CPF no Brasil, o que, quase sempre, é um deal breaker.

3) Elabore um acordo de acionistas com garantias mínimas

Ter um acordo de acionistas com cláusulas de proteções mínimas para os investidores é de suma importância. Isso tanto no drag along – quando alguém quiser comprar o controle acionário da companhia ele precisará comprar a totalidade das ações -, quanto no tag along – se alguém vender uma parte ela deverá ser proporcional a de todos os acionistas – dão segurança ao investidor na hora da venda das ações. Além disso, um conselho administrativo com cadeiras para empreendedores e investidores é uma boa prática que sempre facilita a entrada de novos investidores. Outro forma de fazer isso é garantir que as auditorias contábeis serão realizadas anualmente.

4) Métricas extremamente controladas

No fim das contas, tudo se resume a obter métricas que demonstrem a escalabilidade do negócio. É isso que o investidor quer e é isso que você precisa apresentar.

A verdade é que nunca tivemos tantas iniciativas de startups no país como hoje e isso é sensacional. O que está faltando para o Brasil alavancar ainda mais no mercado internacional são fundos de early stage, de seed capital, e empresas com cultura de aquisição de startups. Ou seja, temos empreendedores capacitados, mas com poucos recursos. Com esses outros atores se destacando, poderemos ter um mercado ainda mais ativo de criação, evolução e saída de empresas.

Não há fórmula padrão para empreender em tecnologia. Muitas vezes, o segredo do sucesso está exatamente no pivot, ou seja, abandonar a hipótese primária do negócio e procurar outra hipótese melhor. Eu, por exemplo, tinha um negócio na área de software e percebi que o setor administrativo financeiro da empresa passava 18 dias por mês cobrando 20 clientes manualmente, emitindo boletos e enviando-os via e-mail. Eu e meus sócios criamos um serviço para resolver por completo os problemas de cobrança. Isso não só resolveu o problema como, anos mais tarde, tornou-se a base tecnológica de um novo negócio. Hoje a mesma solução é oferecida a milhares de clientes em mais de mil cidades de todos os estados brasileiros.

Empreender nada mais é do que buscar um significado na vida profissional, por meio da criação de produtos ou serviços que ajudem pessoas e empresas a melhorarem suas atividades de alguma forma. Empreender nessa área, envolve tudo isso somado ao conhecimento tecnológico, superação e inteligência. Então, você está pronto para esta jornada?

* Piero Contezini é CEO e cofundador da startup Asaas

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